Arte e cultura para políticos ou com políticas públicas?


Arte e cultura para políticos ou com políticas públicas?

                          O ano de 2020 já entrou para a história como um dos piores anos da história. O mundo inteiro teve no mínimo sua rotina alterada devido a crise sanitária causada pelo vírus da família do corana, denominado covid-19. Mais de um bilhão de pessoas sendo incentivadas ao isolamento social e milhões de pessoas sendo obrigadas a restrições mais radicais para conter o vírus na sua comunidade.

                             Em ambos os casos e em quase todas as nações foram restritas ou proibidas à maioria das atividades laborais ou sociais. Pela primeira vez na história da humanidade, igrejas, templos e atividades religiosas foram proibidos no globo terrestre e com a concordância dos seus líderes. Apenas as atividades tidas como essenciais como a produção e comercialização de alimentos e medicamentos e na área de saúde não foram proibidas de serem executadas.

                              Entre os diversos setores afetados estão os de arte e cultura. No Brasil nenhum evento pode ter mais de 10 pessoas por isso ficou inviável até realizar apresentações no menor bar ou restaurante, imagina em uma casa de show ou ao ar livre. Ah, esqueci que bares e restaurantes estão todos fechados também, não podem receber ninguém.

                              Vamos matar saudades desses dias de shows em restaurantes, assistindo uma apresentação do Valdir Santos Trio em um restaurante da Serra Negra.


                             Essa situação colocou os artistas de shows e espetáculos, locutores, equipe de produção e empresários em situação inusitada de falta de trabalho e consequentemente de renda. Artistas do Brasil inteiro que tem a música como única atividade ou atividade principal está passando por privações e o pior não tem certeza quando as atividades voltaram ao normal e, se terão direito aos mesmos valores de cachês e as mesmas oportunidades de antes.

                              Diversas prefeituras pelo Brasil a fora tem dívidas com músicos e artistas, locadores de som e palco e os demais profissionais do entretenimento e, não apenas dívidas do carnaval há relatos de cachês e contratos de 2019 que ainda não foram pagos. E só aumenta o volume das vozes que pedem clemência aos gestores para que seja feito esses pagamentos. Mas como assim pedem clemência? É necessário mesmo ter que cobrar algo tão elementar em dia normal e emergencial em meio a essa pandemia que é o pagamento dos cachês? Não deveria ser, porém é assim que funciona na maioria dos municípios, porque não temos POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS que contemplem os artistas. Muitas vezes os artistas nem sabem se foram contratados por algum edital com prazo e valor especificado ou por empenho (Empenho é o compromisso assumido pela administração pública com fornecedores e prestadores de serviços, baseado em um valor que já existe nos cofres públicos ou fará parte do orçamento através de recursos futuros, o valor é combinado entre as partes e a autarquia municipal geralmente não tem a obrigação de pagar em uma data específica).


Como eu vejo a luta por direitos dos artistas
Apenas observo mesmo que seja prejudicado
Se alguém me chamar eu entro na luta
Mesmo só, luto por nossos direitos
Ema, ema, ema. Cada um com seu problema. Não defendo ninguém.
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                              Na verdade existe uma grande e muitas vezes desleal concorrência entre artistas para fazer parte da grade festiva do seu município, e dessa forma muita músicos se sujeitam a todo tipo de proposta em nome de um suposto lucro, já que se o cachê for baixo, também se for necessário contratar muitos acompanhantes e equipe de produção e se demorar a receber, esse cachê vai ficando depreciado a cada dia, devido à inflação. Alguns até conseguem um número razoável de apresentações e talvez haja algum lucro, outros sem muita noção de que apurado não é lucro nem percebe que as vezes fica no prejuízo, acham que agradando o gestor ou o secretariado está criando um patrimônio imaterial, está “se garantindo” como costumamos falar. Que nada, nem os gestores têm certeza quanto tempo passarão lá, imagina os bajuladores. E outros músicos acham que vale a pena apresentar-se mesmo em condições indignas, mas que oportunize certa evidência, diante do publicou ou do político. Para todo efeito sempre é mais material no currículo cultural do artista. Para muitos prefeitos e secretários de cultura acaba sendo muito cômodo. Primeiro porque é impossível uma gestão colocar todos os artistas da terra em um evento (mas pode haver um revezamento nos anos que se seguem). Segundo que é muito mais interessante e fica mais fácil de barganhar quando o artista vai lá, pedir ou até apelar pra se apresentar do que quando o gestor procura o artista, porque o artista se sentindo valorizado pode querer colocar as cartas do jogo á mesa. Dando a impressão que os gestores estão nos fazendo um favor.

                            Então o que vemos infelizmente é muita gente fazendo arte para políticos e como deveria ser?

                              Deveríamos fazer arte par nós mesmos.

                             Deveríamos fazer arte para o público (Que o político aprenda a fazer parte do público).

                              Deveríamos fazer arte e ter orgulho disso, e não raiva pela falta de apoio, ou vergonha porque talvez fosse melhor ficar em casa do que se sentir desprestigiado.

                               Me responda essas perguntas nos comentários aqui do blog Bistrô do Matuto, você pode até responder citando o nome do seu município aí em baixo nos comentários:

                                No seu município os artistas já foram consultados e instruídos para se cadastrarem no MEI (Micro Empreendedor Individual) para que tivessem alguns benefícios como previdência social e crédito bancário?

                                 As secretarias de saúde, educação e outras da sua cidade disponibilizam assistentes sociais, psicólogos, dão sextas básicas e etc. A secretaria de cultura da sua cidade disponibiliza algum desses serviços?

                                Você já percebeu que tem direitos que nunca usufruiu e tem escolhas que deixa que os outros tomem por você?

                                Aí você pode dizer, mas eu não posso fazer nada, não vou conseguir mudar a regra do jogo. Sozinho não, porém, juntos podemos. Veja o exemplo de Edson do GAMR que não para de buscar apoio governamental e privado para realizar arte com dignidade e com inclusão social.


                                 Vamos ser “bois pretos” pessoal. Vamos nos juntar com outros artistas. Vamos fortalecer nossos sindicatos, associações, grupos de whatsapp, culto ou missa dos artistas, boteco onde se juntam os artistas enfim, estejamos juntos. Boi preto procura boi preto. Juntos seremos mais fortes. Depois que fizermos coisas juntos. Pressionaremos as autoridades para ouvirem nossas demandas e criarem POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS, aí sim nos sentiremos protegidos e valorizados.

Por: Lunas de Carvalho Costa 

Produtor Cultural CPC 7570/17 PE