O clichê do conforto e o conforto do clichê (...)

Foto: Gure Hanaori

 

(...) Diria algo de gente medrosa, que faz arte por fazer. A pressão de terminar, a necessidade de ter a escrita aceita.

O "não magoar" e o calar-se por isto, cercam os penadores medrosos.

Escrever não difere de falar, de qualquer forma. Se você fala sem expressar-se, robótico, logo você não faz arte. Mas, se você atua com a voz desenhando no ar, com os gestos e com as feições, tudo aquilo que irias falar vira arte, e você dá vida à estaticidade.

Logo, se arte não se faz de exatismo regrado e expressionismo reprimido, como ser escritor seguindo um modelo pronto? O conforto do clichê: não magoa, é previsível demais para isto, mas também não se expressa, não grita.

ARTE GRITA!

A arte não necessariamente deve, mas ela pode doer. Arte não deve nada, nem sentido precisa ter, por que se algo te dá liberdade de apreciar aos seus próprios olhos, sem uma definição ou motivo prévio, esse algo te dá o arbítrio de um pensador.

A pena de um penador pode ser caneta, pena, canudo, pincel ou pistola na visão da pauta. Não tema que escorra, permita escorrer.

Não tenha medo do que a tinta nos trará legível à medida que desliza, pois igual não temos controle do formato que o sangue toma ao gotejar e escorrer.

Derrame-se no papel, e orgulhe-se unicamente de ter sobrevivido.

Não mais.

Não releia, não corrija. Seu sangue, suor e lágrimas também são válidos. Embora estes doam a ti ou a outros, eu repito:

A arte pode doer, não estacione no conforto do clichê.



Por: Gure Hanaori








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