"No Agreste/Sertão Futurista, nem toda maldição é castigo.
Às vezes, é resistência".
///Nenhum Autor///
O LOBISOMEM DE BEZERROS
[Agreste / Punk / Dark Futurista]
Autor: Iram F. R. “Bradock”
Sinopse do Licantropo:
Na cidade inteligente de Bezerros, durante a Quaresma, um homem acima de qualquer suspeita começara a desaparecer nas noites eternas de sexta-feira.
Antero dos Anjos é trabalhador da limpeza pública, fiel devoto e presença constante na igreja. Mas após a misteriosa Chuva Negra e o avanço do controle climático da megacorporação: Hidro/Nord Data & Clima S/A, algo desperta dentro dele.
Quando a lua sintética sobe sobre o Agreste, Antero se transformara no Lobisomem do New/Agreste, — não uma criatura movida por sede de sangue, mas por instinto de justiça. Ele fareja corrupção digital, destrói servidores clandestinos e rasga contratos invisíveis que tentam patentear o primeiro e segundo céu.
Entre a new/fé, tecnologia e revolta atmosférica, O Lobisomem de Bezerros é uma narrativa punk e mística onde o verdadeiro monstro pode não ser o homem que vira fera… mas o sistema que tenta controlar até a chuva.
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O LOBISOMEM DE BEZERROS
[Agreste / Punk / Dark Futurista]
Autor: Iram F. R. “Bradock”
*
Em New/Bezerros, a Quaresma sempre foi tempo de silêncio, mas também assombrada e metamorfose.
Mas naquele ano atômico, o silêncio tinha ruído.
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HOMEM DE FÉ
Antero dos Anjos era invisível.
Trabalhador da limpeza pública, varria a feira antes do sol artificial nascer ou ser ligado. Recolhia restos de plásticos, cabos rompidos, placas/mãe descartadas pela periferia digital do Agreste.
Frequentava a igreja todos os dias.
Confessava-se toda semana.
Não bebia. Não brigava. Não falhava.
Acima de qualquer suspeita.
*
A CHUVA QUE NÃO ERA ÁGUA
Na quarta-feira de cinzas, caiu algo estranho sobre a a new/cidade.
A estação atmosférica da Hidro/Nord Data & Clima S/A chamou de: “anomalia química temporária”.
Mas os proto/moradores chamaram de Chuva Negra.
Fuligem fina... Resíduo metálico... Cheiro de circuito queimado... Antero começora a sentir ardor nos olhos... E algo mais... Ele escutava vibração nas paredes.
Como se a cidade estivesse conectada por dentro.
*
PRIMEIRA SEXTA
À meia-noite da primeira sexta-feira da Quaresma, Antero acordou suando.
O corpo tremia... Mas não era febre... Era frequência... Os ossos estalaram como se alguém estivesse recalibrando sua estrutura interna... Sua visão mudou.
Ele passou a enxergar camadas invisíveis nos prédios... Linhas de dados correndo sob o chão de pedra... Assinaturas digitais sobre as casas... Ele não virou fera... Virou detector.
*
FAREJANDO DADOS PODRES
O primeiro ataque aconteceu na antiga estação ferroviária.
Um servidor clandestino operava ali, controlando microclimas ilegais para grandes fazendeiros.
Antero sentiu o cheiro.
Não de sangue.
De mentira comprimida.
Quando a lua ficou cheia, algo assumiu o controle.
Seu corpo se moveu rápido, ágil, brutal.
Rasgou cabos.
Destruiu placas.
Arrancou o núcleo central com as próprias mãos.
No visor que restou piscou a frase:
"FAREJANDO DADOS PODRES…".
*
O LOBISOMEM
As pessoas começaram a falar.
“Tem um bicho na cidade.”
“Não é bicho. É maldição.”
“É castigo da chuva.”
Mas ninguém suspeitava de Antero.
Ele continuava varrendo ruas.
Continuava ajoelhando na igreja.
Continuava invisível.
Só que agora ele ouvia coisas.
Ouviu pela primeira vez:
Rosco.exe ativo
Uma presença nos sistemas abandonados.
Algo guiando.
*
CAÇA CORPORATIVA
A corporação enviou drones de reconhecimento.
Relatório interno:
ANOMALIA BIOLÓGICA COM INTERFERÊNCIA DIGITAL
POSSÍVEL CONEXÃO COM EVENTO ERRO 404
Mas toda vez que os drones se aproximavam, o sinal falhava.
O vento interferia.
Como se o próprio Agreste protegesse o monstro.
*
A SEXTA-FEIRA SANTA
Na última sexta da Quaresma, a Nova/Bezerros ficou às escuras.
A lua sintética era enorme.
Antero caiu de joelhos no meio da rua de pedra.
O corpo expandiu.
As mãos endureceram.
Os olhos brilharam dourado.
Agora não era só detector.
Era julgamento.
Subiu o Morro da Serra Negra onde ficava a estação principal da Hidro/Nord.
Drones dispararam.
Alarmes soaram.
Satélites focaram.
Mas o Lobisomem não atacava pessoas.
Atacava controle.
Destruiu a central atmosférica local.
No painel principal, gravou com as garras:
"A CHUVA NÃO É PROPRIEDADE".
*
DEPOIS
Na manhã seguinte, encontraram Antero dormindo na sacristia.
Roupa limpa.
Olhos cansados.
Nenhuma lembrança.
A corporação classificou como sabotagem terrorista.
A igreja chamou de milagre.
A cidade chamou de lenda.
Mas toda sexta-feira, quando a lua cresce…
As antenas tremem.
E nos servidores esquecidos surge a mesma linha:
Rosco.exe monitorando… No Agreste Punk Futurista, o verdadeiro monstro não é o homem que vira fera.
É o sistema que tenta patentear até o céu.
E enquanto houver controle demais…
Haverá algo à solta em New/Bezerros.
FIM?
Autor: Iram F. R. “Bradock”
Esse texto não reflete necessariamente a opinião do Bistrô do Matuto, e é de inteira responsabilidade dos seus autores.
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